Tuesday, February 12, 2013
Uma vitima é uma vitima é uma vitima
Conheço em segunda mão a realidade nua e crua da violência domestica. Através de um olhar clínico, sem condescendências, sem sentimentalismos.
Qualquer mulher (ou homem, vai dar no mesmo e também os há) apanha uma primeira vez.
Pode acontecer a qualquer um de nós, todos nós corremos o risco de ser surpreendidos ou todos nos podemos revelar. Podemos ignorar os sinais ou apenas nos apercebermos deles quando estão a um palmo da nossa cara.
Quem apanha uma vez até pode apanhar uma segunda vez, porque errar é humano e damos a outra face e vale a pena lutar pela relação ou não nos podemos dar ao luxo de sair de uma relação por um episódio inexplicavelmente infeliz.
Mas não apanha uma quinta, não apanha uma sétima, não apanha uma décima.
Se há um típico abusador, há uma típica vitima. Com tudo o que de típico isso tem, e admitindo as excepções do costume.
Se há alguém que bate e depois se arrepende e diz que ficou cego de raiva, pede desculpas e promete que não volta a acontecer e levanta-se bonzinho, ou simplesmente sossega por uns dias e se cala,
há alguém que está enredado naquela história, que se justifica com o cansaço dele, ou com a crise, ou com o stress, ou com a sua própria provocação, ou com qualquer coisa que fez ou não fez. Há alguém que fica pelos filhos, ou pela falta de dinheiro, ou pela falta de perspectiva, ou pela ideia de um passado cada vez mais distante, ou por uma qualquer adição ou obsessão ou ilusão que não se pode chamar paixão muito menos amor, que se apieda, que quer acreditar, que não se acha merecedora de melhor, que julga ganhar algum poder com o arrependimento dele, que justifica sempre, que até acredita que no fundo a culpa sua. E que não volta a acontecer. E que se acontecer será sempre por uma razão, por isso faz o possível para que haja harmonia no lar. Para que esteja tudo bem e haja silêncio e nada fora do lugar. Há até quem jogue com os papéis e entre num ciclo vicioso de poder, culpa, agressão, instigação, numa dança a dois.
Até ser tarde demais.
Para cada testo há uma panela. Mesmo.
E não obedece a estrato social, condição económica, idade.
A Rihanna vai voltar a apanhar. Ela é uma vitima e o Chris é um agressor e ela vai voltar a apanhar.
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