Showing posts with label Mi Blog es tu Casa. Show all posts
Showing posts with label Mi Blog es tu Casa. Show all posts

Thursday, April 4, 2013

Mi Blog es tu Casa


Hoje trazemos ao Blog uma situação que é conhecida de cada vez mais mães, de cada vez mais famílias, que têm de lidar com a nova emigração dos últimos tempos, a de jovens adultos, jovens pais de família, formados e que tinham tudo para dar certo em Portugal, mas que têm de agarrar melhores oportunidades no estrangeiro, por falta de opção ou por falta de opção que faça face às exigências da vida. E tudo se complica quando têm de ficar para trás filhos pequenos, que queremos ver crescer todos os dias e a família que se constrói fica separada, ainda que não por muito tempo. É sempre tempo precioso de que se pode saber, o qual se pode ver em primeira mão (viva o Skype e as tecnologias que o permitem!), mas não se podendo tocar, mudar, influenciar directamente, são sempre tempos meio vividos, que nos escapam um pouco, ou muito. Aqui fica o relato em primeira mão:

Em Janeiro de 2012 fiquei sozinha com a minha bebé de nove meses, pois o pai emigrou para Angola. Passámos a ser as duas para tudo. Felizmente que o meu trabalho é a 5 minutos de carro e a creche fica mesmo ao lado deste. E felizmente, que a avó tem disponibilidade para ir buscar a neta à tarde.
No início foi a adaptação à ausência e era uma novidade, depois as férias e estávamos radiantes pela união, e a seguir à reunião vinha a separação, que já sabíamos com o que esperar, cada vez as separações eram mais difíceis.

Até aos doze meses, a nossa bebé se adaptou bem à ausência do pai, apesar de que falava e via-o todos os dias pelo Skype. Aos dezoito meses, após as férias em Outubro, já chorou ao vê-lo ir embora, e no Natal, decidi-me a não ir levá-lo ao aeroporto. A bebé de nove meses passou para os vinte e as reacções via Skype, telefone, ausência e presença também cresceram. Quando em férias, mal o pai se ausentava para ir levar o lixo, por exemplo, chorava.
Nós da nossa parte, nunca chorámos, nunca desesperámos e sempre fomos andando e vendo e vivendo, sem dramas (porque o mercado de trabalho a isso nos obriga).
Para mim nunca foi complicada a logística (bebé, trabalho, casa), pois a minha filha é daquelas sempre bem disposta, que come sempre bem e que dorme sempre a noite toda na cama dela, sempre! Neste tempo todo que passou raramente ficou doente e só apanhou as doenças “normais” de bebés. Eu só pus baixa uma vez e foi um dia. Esta fase maravilha da minha bebé foi até aos dezoito meses, depois passámos às birras (como é de esperar) e claro exigiu muito mais de mim, psicologicamente mesmo!
Aquilo que mais me transtornava era mesmo o meu horário, pois nunca saí em 2012, às 18:00 horas. Nunca fui buscar a minha filha à creche, felizmente tinha a avó que lhe dava o jantar. Eu às horas que saía era só ir buscá-la, dar o banho, brincar e falar com o pai via Skype, e depois de deitá-la, a minha hora de jantar era às 22horas.
E neste rame rame do dia-a-dia passou um ano…
Olhando para trás, aquilo que me custou mais foi ver crescer a minha filha sozinha, ela a desenvolver-se e o pai a perder tudo. Foram os fins-de-semana em solidão (apesar da família e amigos sempre presentes). Uma sensação total de viver e não estar viva, simplesmente a aguardar. Porque o tempo passa rápido e logo logo estamos juntos, mas passou rápido, mas não foi aproveitado.
Se do meu lado foram estas as sensações vividas: solidão, monotonia, saudade, do lado do pai foi mesmo: saudade, saudade, ansiedade, ansiedade, MUITA SAUDADE, pois resumindo, para o meu marido voltar era um suplício! Como não houve maneira de nós irmos para Angola, ele decidiu-se a vir embora e retornou em Março deste ano.
Foi um grande esforço da parte dele que compensou financeiramente, mas emocionalmente deixou-o mal tratado. Veremos como nos corre a vida agora… pelo menos agora andamos todos nas nuvens E esperemos que não nos falte trabalho para não nos separarmos novamente.

Wednesday, February 6, 2013

Mi Blog es tu Casa V



 Esta semana este blog recebe um momento da vida de uma mãe de minutos, de horas, que não pode viver esses primeiros momentos em plenitude, como todas nós gostaríamos.
O seu bebé nasceu e não pode ir logo para os seus braços...

"Nasceu, e agora? Agora é fácil! " (titulo de um documentário, feito pela RTP1 em parceria com o Amafora-Sintra, sobre os primeiros dias de vida do bebé.)
Bom, vi-o no próprio hospital AS, num dos muitos dias de internamento na obstetricia, antes do D nascer. E é sobre este acontecimento, o nascimento de quem intitulo agora de " homem da minha vida" que eu quero escrever.

O D nasceu no dia em que completei 37 semanas de gestação, a linha que separa um bebé prematuro de um bebé de termo. Tinha 48 cm e 2300kg.

Passaram-se 2 meses e 14 dias, mas ainda sinto tudo recente...como que se me tivessem beliscado e ainda sentisse a dormência...mesmo depois da dor maior ter passado.

Dor? Não me refiro à dor do parto, que bem (mães) sabemos ser muito provavelmente a maior dor (física) que experimentamos, principalmente quando o parto é o mais natural possivel (sim, sem epidoral!), mas a qual ultrapassei com a grande ajuda do meu D grande. Refiro-me à dor que senti, quando ouço "pai, quer cortar o cordâo umbilical?" e nâo ouvi o meu D chorar!! Naquele milionésimo de segundo, o mundo parou..nao sentia o corpo...mas conseguia sentir o coração bater 100x mais rápido, parecia que me ia rasgar a pele de tão acelerado...!e levaram-me o D...!

Levaram o meu bebé, para uma bancada mesmo ao meu lado, mas eu não o conseguia ver...e continuava a não ouvi-lo... tinham chamado uma pediatra. Pareceram-me horas de sufoco...e foram mesmo, porque a primeira vez que toquei no meu fruto, ja se tinham passado algumas horas desde o seu nascimento...

O D nasceu sufocado pelo cordão umbilical, teve que ser reanimado e levado para a neonatologia para ficar sob observação. o que aconteceu ao certo, se foi antes ou durante o parto que o cordão enrolou, não se sabe, pois eu dei entrada no bloco de partos em urgência, e foi tudo tão rápido, que em 30 minutos ele nasceu.

Passadas 4 horas do parto, tive luz verde para me levantar e ir ver o meu menino! Lá fui, levada por uma auxiliar e numa cadeira de rodas (só porque me obrigaram, pois teria ido pelo meu próprio pé), e foi um choque... entrar na neonatologia, e a primeira vez que estava a olhar para ele (consciente) era através de uma caixinha de vidro, todo ligado e cheio de luzinhas...as lágrimas vieram-me aos olhos, mas logo veio ao meu encontro a enfermeira de serviço, que logo me tranquilizou, dizendo que o D estava em ótima recuperaçao e que só ali continuava para observaçao. E finalmente pude pegá-lo, tocá-lo... era um pedaço de mim!

É claro que ouvi e vi o que mais queria, o D estava bem! Mas voltar ao quarto sem ele..era triste demais!!! E o que invejava as mamas que estavam no meu quarto com os seus bebés! Foram 3 dias a "passear" pelos diferentes pisos, pois só me sentia bem junto do meu D. Vê-lo constantemente a ser "picado" era, de certeza, mais doloroso para mim do que para ele, aquela sonda enfiada na boquinha irritáva-me e entrestecia-me...mesmo! Mas ele estava bem!

Finalmente ao 3° dia o meu tesouro veio para junto de mim. Agora sim, tinha renovado as minhas forças e não precisava mais de andar no corre corre, entre o quarto, visitas e neonatologia!

Saimos da maternidade ao final de 6 Dias, porque o D tinha que terminar o antibiótico. Como mae, sofri muito com este susto, mas orgulhosa porque o meu menino é forte, e provou-o logo nos seus primeiros segundos de vida!

Agora? É tudo tão fácil! Não por tudo ser perfeito, que não é, mas porque estamos juntos, me, pai e filho, a fazer prevalecer o amor e união, e por isso posso garantir que vivo os dias mais felizes da minha vida!

Um dia, uma grande amiga disse estas sábias palavras, " não existe um curso que nos ensine a ser bons pais, por isso erramos", é verdade, mas é esta aprendizagem do dia a dia, que nos faz ser quem somos. Entre erros, medos, fraldas, birras e muitas noites mal dormidas, digo, é tão bom e é tão fácil :-)

Quero agradecer a todos os familiares e amigos, que estiveram comigo fisica e moralmente, nestes longos 16 Dias de internamento.
Um agradecimento especial, ao 2° mas não menos importante, homem da minha vida. Foi ele que fez estes dias parecerem menos longos...foi incansável e encheu-me de mimos, que eu tão precisava. Amo-te D Grande :-)

https://www.facebook.com/diana.loureiro.58?ref=tn_tnmn


Se quiser partilhar nestas Maravilhas um momento que a marcou na sua vida, escreva para: asmaravilhasdamaternidade@gmail.com
Obrigada por fazerem desta rubrica o que ela é. Obrigada!!

Wednesday, January 30, 2013

Mi Blog es tu Casa

A história da vida de hoje retrata a dureza e o turbilhão emocional da passagem por um divórcio. Não escrevo "de" vida, porque estes episódios não definem a vida destas mulheres, elas aconteceram ou passaram por estas mulheres, ou podem fazer parte delas, mas não as definem.

Aqui fica,
Um Divórcio, o Meu Divórcio

Quando planeamos ter um filho, temos por base toda uma vida que é a que construímos. Primeiro, um casamento, ou um companheiro. Depois, uma casa. Finalmente um emprego. O que sucede quando tudo isso desaparece é ficarmos sem chão, com a vida roubada. E com um filho no meio.
Foi isso que sucedeu em 2012. Ao fim de uma relação longa, a separação. O meu filho tinha então sete meses.
Fui eu que saí de casa. Lembro-me de entrar pela última vez naquela sala, de uma casa adquirida pouco tempo, e onde era suposto envelhecer rodeada de crianças. Fechei a luz, e saí. Arrastava um saco enorme, com a banheira do meu filho, alguns brinquedos, e um grande buraco cá dentro.

Refugiada em casa dos meus pais, acordava todos os dias com uma sensação de um vazio e dor profunda. Como é que isto tinha acontecido? A rapidez dos acontecimentos, do desmoronamento, ultrapassava qualquer capacidade de compreensão. Ao mínimo choro do meu filho, passava-o para a minha cama. Era eu quem necessitava disso, não ele. De sentir o quentinho do corpo, a respiração dele a aquecer-me o peito. 

Nos primeiros tempos, o mundo dizia: ah, vocês vão voltar. E eu vivia dessa esperança. Ansiava sinais. Pode ser que ele assim sinta a minha falta. Pode ser que ele me peça para voltar. fazia as minhas escolhas em função disso. Mas nada. Silêncio. Só queria saber do bebé. Eu deixara de existir.

Entretanto, começa a busca por um outro sítio para ir viver. Passei a ser a mulher recambiada em busca de um T2 para arrendar. Recebida por casais em busca de casas maiores.
Encontrei um apartamento. Com a ajuda de pais e irmãos, fiz as mudanças. Do pai do meu filho, nenhuma reacção. A esperança de reconciliação aparecia cada vez mais longínqua e improvável.

As reacções do mundo eram perturbadoras.Ninguém acaba uma relação tão longa assim, de um momento para o outro! E ainda mais com um bebé tão pequeno! E uma casa nova! O mundo quer explicações, razões concretas. O mundo não se conforma. E todas as explicações parecem pequenas na minha boca, perante a enormidade da coisa. O mundo fica em choque. Mas vocês eram o casal perfeito!!!! De repente, sou eu a consolar o mundo, o mundo todo, do grande desgosto que o mundo sofreu por o meu conto de fadas ter terminado.

Nesses tempos, deixei de ser mãe. Os avós passaram a ser os pais . Não conseguia encaixar o meu bebé naquela vida nova. Até podia organizar-me para esquecer uma relação de décadas. Mas, o que fazia ao meu filho? Qual o lugar dele no meio daquilo tudo? Ele pertencia a uma vida que já não existia. Olhava para ele e, mais uma vez, sentia-me muito baralhada. Muito confusa. Assustada. Percebia que ele ficara para sempre. Sentia-me culpada. Não conseguia ser mãe assim. Se era para ser livre, procurar novas pessoas, o que fazer àquele pedaço da vida antiga?

Os tempos que se seguiram oscilaram entre a depressão e uma euforia por estar semi-livre. 
Um dia comecei a olhar para uma pessoa que muito gostava de outra forma. Uma pessoa que começou a lutar por mim. Por mim como mulher. Por mim como mãe. Uma pessoa que valia mesmo a pena.
E eis que, então, ressurge o marido. Sem o admitir, sem o pedir expressamente, quer que eu volte. E porque eu errei, mas tu também erraste. E porque temos de pensar no que é o melhor para o bebé  E porque me faz confusão ele passar a estar mais tempo com outro homem do que comigo. E porque estás a ser egoísta, Blá blá blá. Nunca me disse que me amava. Mas tocou sempre no meu ponto fraco: o melhor para o bebé  era voltarmos. Foram muitos meses confusa. Sentia-me dividida entre o que seria melhor para o meu bebé e o que seria melhor para mim. Voltar para um casamento que me trouxera infelicidade, ou fazer o meu filho infeliz para toda vida por ter os pais separados? A confusão era enorme, perturbadora, barulhenta. 
As opiniões divergiam. Ouvi que a felicidade do filho depende da felicidade da mãe.Ouvi que o valor da família se devia sobrepor. Ouvi que um divórcio nesta idade seria melhor que mais tarde. Ouvi que hoje em dia os casais não fazem esforço nenhum para estarem juntos. Ouvi que finalmente tinha alguém que me amava a sério. Ouvi que as crianças necessitam é de estabilidade.

Percebi que viver de acordo com as expectativas dos outros só poderia trazer infelicidade. E assim optei pelo divórcio. E pela pessoa que, afinal, me tinha salvo do precipício.
Mas o pai do bebé não estava preparado para ser eu a decidir,muito menos decidir aquilo. E assim começou mais uma etapa deste longo e excruciante processo. Coisas que sempre ouvira, passei a sentir na pele. As pessoas transfiguram-se, mesmo, com o divórcio. As pessoas usam, mesmo, os filhos como arma de arremesso. 
Todos os dias discussões lancinantes ao telefone, em que frases como as seguintes eram proferidas: Tu é que queres o divórcio, não levas pensão de alimentos nenhuma, nem para ti nem para o bebé. Ah ficaste sem emprego? Pensasses nisso antes, Se queres o divórcio, quero guarda alternada. Ou é assim, ou vamos para litigioso. Quero-te ver no litigioso, vais andar anos amarrada a este casamento.  
Nesses momentos, tudo se diz, tudo se pondera, e quase ninguém ajuda. Pais de um lado: cala-me esse indivíduo e procura um advogado. Marido do outro: Temos de resolver tudo a bem, pelo bebé. Que é como quem dizia: ou é como eu quero, ou litigioso connosco.

E pelo bem do bebé, e pela ânsia de ver fim da coisa, lá se vão assinando papeis.
O mundo critica. Mas és tótó???? O bebé  não tem pensão de alimentos? Mas és tótó? Ele fica com a casa? Mas és tótó? Ele fica com a mobília toda?
Mas o que interessa naquele momento é acabar com o pesadelo todo. Continuar com a vida para a frente. Voltar a ser mãe.
E eu sabia que podia mudar tudo depois de ter o divórcio. Era essa a minha meta. Acabar com aquilo tudo. E depois, se necessário, reponderar a regulação do poder paternal.

O mundo ainda hoje critica muitas das minhas escolhas. O mundo diz que não lutei o suficiente. Que fui tótó. Que o bebé fica muito tempo em casa do pai. Que ele é muito pequenino para passar fins-de-semana sem a mãe
E eu... eu ainda tenho muitas dúvidas.Estou a apalpar terreno pantanoso com muito cuidado. A aprender, todos os dias, esta vida nova. Aprender a ser divorciada. A tentar ler sinais no bebé, a tentar perceber se ele sofre, se ele está bem. Ainda tenho muitas, muitas marcas profundas de um ano com desilusões, mágoas, lutas, desconfianças. Marcas que tento que não assombrem a minha nova relação. Também aí estou a reaprender a ser namorada. Reaprender a ser mãe, quando era mãe há tão pouco tempo. E aprender a ser mãe de uma nova família, com os dois filhos dessa nova pessoa...

Com um filho, um divórcio nunca é total. Todos os dias os pais têm de falar. Terá de haver sempre pequenas concessões.Sempre decisões em conjunto. Tentar, a bem do bebé, o mínimo de entendimento. Gerir um equilíbrio muito periclitante, entre o respeito e o marcar da nossa posição.

Mas a vida está a recomeçar. Com a esperança de que seja melhor. Porque foi a que eu escolhi. Porque acredito que me fará feliz. E por isso será melhor também para o meu filho.

Wednesday, January 23, 2013

Mi Blog es tu Casa III





O testemunho de hoje traz-nos a história da maternidade (parentalidade!) adiada por infertilidade fortuita, digamos, uma infertilidade que não tem sempre uma explicação evidente, mas que adia o ansiado SIM por meses ou anos. Nem todas as gravidezes são imediatas, nem todas as gravidezes são fruto de tratamentos contra a infertilidade. Há gravidezes que simplesmente tardam e entretanto angustiam.

QUANDO O BEBÉ TARDA EM CHEGAR


A minha história é igual à de tantas outras – dirão, aqui está o primeiro cliché...
A verdade é que sim, não fui a primeira nem seguramente serei a última das mulheres que, na fase da vida que dão como certa, decide, com o seu companheiro, ter um bebé, finalmente.
Chega o segundo cliché. Teremos o nosso primeiro filho depois de casados, depois da casa, comprada, depois dos estudos, completos, e do trabalho, estável, porque isto das crianças envolve muita responsabilidade e, além disso, ainda queremos fazer umas quantas viagens...
É agora. Lemos os livros certos, aprendemos o essencial sobre o assunto, quando vier, será benvindo, até lá, curtimos a sobrinhada, que é tão bom! Objectivo: engravidar antes dos 30.
Mas os meses passam, sem novidades. Os outros todos já têm os seus rebentos, o que é que se passa connosco?
O terceiro cliché nesta história. Não vale a pena ficar ansiosa, angustiada, o positivo chega quando menos esperarmos! Até o médico: tenha calma, é muito nova, está tudo bem! Aproveitem enquanto são só os dois...
O problema é que os programas a dois já não têm tanta graça como antes, o calendário passa a ser controlado pelo... calendário. O dia do mês, a temperatura basal, e se fosse hoje...?
Usamos racionalidade na situação: averiguaremos o que se passa, faremos exames de diagnóstico e despiste de alguma anomalia. Da ecografia mais rotineira ao espermograma, das análises de sangue à histerossalpingografia (o que é isso?!), está tudo bem, não esquecer que uma gravidez natural tem apenas uma probabilidade de 20% em cada ciclo, está sempre dependente da idade fértil da mulher...
Procuramos lidar com o assunto, planear como responder a todos os que perguntam quando chega o rebento, reagir quando todos à nossa volta já têm (pelo menos) um bebé. Guardamos para nós, como um segredo de que nos envergonhamos, ou falamos abertamente de um problema de que não somos culpados? Fazemos disto um bicho de sete cabeças ou enfrentamos as dificuldades com naturalidade?
Diagnóstico: infertilidade inexplicável. Infertilidade? Bem, não no seu mais rigoroso sentido técnico, pois que, até aos 35, só se considera tal patologia decorridos dois anos sem conceber. Afinal, há tantos casais com dificuldades em engravidar, tantos com problemas bem sérios, necessitando de tratamentos médicos longos e dispendiosos.
Mas nós concebemos: ao fim de meses e meses de espera, talvez um ano, mais, chega o tão aguardado positivo, finalmente! Temos de anunciar ao mundo! A medo, primeiro aos pais e irmãos, depois a alguns amigos próximos.
Nem tivemos tempo de prolongar a nossa alegria, um dia a pequena mancha de sangue escuro faz o nosso mundo desabar.
Novo diagnóstico: aborto espontâneo, às sete semanas de gestação. “Acontece a todas as mulheres, pelo menos, uma vez na sua vida, muitas nem se apercebem...”, diz o médico. Mas eu apercebi-me, porque eu vivia para chegar ao fim de cada ciclo, para o primeiro atraso de um dia, dois dias, três dias.
Quando o novo positivo chegou, tão cedo afinal, o medo tomou conta da nossa alegria. A espera, os dias que faltam até à primeira ecografia, não podíamos entregar-nos à felicidade. Mas a confirmação chegou, as semanas passaram, a barriga cresceu até às 40 semanas e finalmente tivemos o nosso bebé nos braços.
E agora, pensamos, já somos um casal “normal”, tudo acabou bem, devemos começar a pensar no irmão? Se demorámos tanto da primeira vez, é melhor não perder tempo.
Mais um objectivo: ter o segundo bebé antes dos 35, investigar nos livros qual o intervalo ideal entre os manos.
O positivo lá chegou, também com o seu tempo, e com ele os mesmos medos. Mas que diabo, porquê, não somos mais nem menos que os outros, o aborto já aconteceu, pronto, já não se repete...
Mas repetiu, e doeu mais, muito mais. Desta vez, não houve perdas de sangue, nada. Apenas o silêncio. Do médico, do ecógrafo que devia ressoar os batimentos cardíacos, o silêncio. E as lágrimas.
O epílogo da minha história é o de um final feliz. Alguns meses depois voltei a engravidar e voltei a gerar um bebé perfeitamente saudável.
Não fiquei grávida, pela primeira vez, antes dos 30. Não tive o segundo filho antes dos 35. A espera, a frustração, a tristeza e o sofrimento foram inevitáveis.
Tenho duas crianças lindas e saudáveis, faço o que posso para ser uma boa mãe, não sou nem mais nem menos do que qualquer outra. Vivo em pleno as “maravilhas da maternidade”!
Toda nossa vida nos habituámos a resolver as nossas dificuldades com esforço, trabalho e dedicação, obtendo com isso o objectivo esperado. Foi para isso que fomos educados e é assim que queremos educar os nossos: com trabalho, tudo se consegue. Mas, na busca de um filho, a vida deu-me uma grande lição. Não podemos intervir em tudo, a natureza não está toda ao nosso alcance.
Como tantas outras mulheres, vivi esta história com um final muito feliz.

Wednesday, January 16, 2013

Mi Blog es tu Casa II




 A convidada de hoje destas Maravilhas deparou-se com uma das maiores consequências físicas para as mães do pós-filhos com amamentação e resolveu tomar as suas providências!

Fiz uma Mamoplastia de aumento depois de ter filhos

O DESAFIO
Desafio lançado pela Maria de Lurdes: utilizar a sua sala de estar (vulgo blog), sentar-me confortavelmente num dos seus sofás (vulgo post), e entre um chá e uma ou outra bolachinha, falar sobre a minha experiência pessoal nestas andanças de maternidade, pós-parto e... cirurgia plástica! Challenge accepted.

A EXPERIÊNCIA
Enquanto maezíssima de 2 crianças abaixo dos 5 anos, com idades muito próximas, fiquei com poucas “sequelas” físicas das gravidezes. YEEES! Tudo muito bonito à excepção das minhas queridas mamocas – que cumpriram as suas funções em pleno durante o tempo que lhes foi permitido. Enquanto que na primeira gravidez não sabia ainda bem o que me esperava, na segunda não tive dúvidas: o que outrora tinham sido dois objectos de brio, não demasiado ostensivos, mas sempre motivo de orgulho, estavam transformados no que uma amiga carinhosamente e tão bem descrevia como “saquinhos usados de chá”.
Cirurgia plástica foi algo que nunca tinha considerado na vida. Nunca estive descontente com nenhuma parte do meu corpo em particular. Sempre olhei para as cirurgias plásticas, e para os aumentos mamários em particular, com alguma desconfiança. Mas a pesquisa impunha-se! Foi altura de colocar a Santa Internet em acção: vi centenas de sites. Confesso: pouco ajudou e só me criou mais dúvidas. Assim, decidi que a Sr.ª Internet tinha cumprido a sua missão e deveria agora contactar um especialista.
Marquei consulta de cirurgia plástica. Disse à médica que nunca tinha ponderado tal coisa na vida, que apenas pretendia um aspecto semelhante ao meu pré-gravidez e que queria tudo menos um look porno-star (que me perdoem todas as porno-stars com próteses de 800mL!). Falámos do tipo de próteses, do tipo de incisões, dos cuidados pós-operatórios e do regresso ao trabalho.
Resumo: Diagnóstico de atrofia mamária pós-parto. Agendada mamoplastia de aumento com próteses de forma anatómica (tamanho previsto +- 255gr), colocação via periareolar retroglandular. Cuidados pós-operatórios: não fazer esforços durante cerca de 4 semanas, utilização de soutien de contenção elástica, regresso ao trabalho dentro de 2 semanas.
Entrei de manhã e saí na manhã seguinte. A noite foi o único momento mais desconfortável de todo o processo: acordei dorida, com umas boias de sinalização coladas à frente, sem grande vontade de mobilização e super nauseada. O que – viva a vaidade! – não impediu a acrobacia do levante de madrugada para ir ao espelho checkar o resultado... As dores foram muito suportáveis, mas confesso que segui à risca os conselhos da médica. Em 30 dias a vida tinha voltado ao normal.

AS GRANDES QUESTÕES
‘Será que isto é tudo da minha cabeça?’
Esta era a grande questão! Estaria eu a querer ir contra a Mãe Natureza ou contra as inevitabilidades da vida?... Talvez. O que é facto é que o corpo que agora era meu, era algo com que não me identificava.
‘As expectativas correspondem à realidade?’
Os receios falavam bem mais alto do que as expectativas, confesso. As dores, o ar pouco natural, o tamanho, as cicatrizes, a anestesia... Houve várias alturas em que, pesando os prós e os contras, me questionei se seria a decisão acertada.
Nunca pensei que o aspecto final fosse tão semelhante ao pré-gravidez, tirando a densidade (a mama fica mais firme e dura). As cicatrizes praticamente não se notam (de bikini não se vêem sequer!) e nunca deram problemas. A sensibilidade mamária demoooora a recuperar, mas regressa! As dores foram totalmente suportáveis.
Quanto ao tamanho das próteses – e uma vez que queria um look natural – um dos melhores conselhos que recebi foi (AHHHHH, Mª de Lurdes! Esta vai ser polémica...) procurar umA cirurgiã plástica: uma mulher.
Realizada a cirurgia, eu – mamã upgraded – afirmo que foi uma grande decisão. E melhor: a correcta. Voltei a ser eu, não só mamã de dois miúdos, como mulher. E isso faz toda a diferença.
‘Como fazer um upgrade cirúrgico e ser mãe em simultâneo?’
Como gerir 2 crianças pequenas em casa a pedir colo de 2 em 2 minutos?... Pois bem. Preparando-as. Avisando-as que a mamã vai ser operada e que não vai poder pegar ao colo, mas que vai poder dar muitos xis e muitos beijos e muitos mimos.


 Caso queira votar nestas Maravilhas nas categorias Mulher e Pais/Filhos, todos os dias uma vez por dia até dia 19, aqui: http://aventar.eu/blogs-do-ano-2012/blogs-do-ano-2012-votacoes-1a-fase-24/
OBRIGADA

Wednesday, January 9, 2013

Mi blog es tu casa



Tal como já tinha deixado antever no Domingo, aqui As Maravilhas vão dar tempo de antena a histórias da vida que podem ser nossas, mas não acontecem a todos nós.
Há temas e situações que nos acontecem que queremos que sejam íntimos, dos quais temos vergonha, pudor, ou simplesmente alguma reserva para falar. Não andamos por aí a contar os nossos episódios mais fortes ao pessoal ou a quem queira ouvir, mas às vezes temos de desabafar. De contar. Um blogue nisso é muito bom. Aqui partilho pequenos episódios da minha vida, algumas confissões. Muitas confidências. Um blogue dá-nos um nível de anonimato que nos permite confessar coisas que habitualmente não confessaríamos assim, sem mais e dando a cara.
E há coisas sobre as quais se deve falar, assuntos que interessam a todos nós mas dos quais não se fala, dos quais não se sabe.
Por isso, já vinha cozinhando isto há algum tempo e comecei a fazer convites e a coisa está composta. O meu blogue vai ser a casa de assuntos sérios, dos quais eu não posso falar com propriedade porque não se passaram comigo, mas que eu considero importantes para partilha e informação geral, ou apenas para desabafo.

Basicamente, quem escreve dá a coragem, eu dou o blogue. E tenho a certeza que todos vão ficar a ganhar com a partilha e conhecimento de experiências que aqui vão surgir.

O testemunho de hoje: Uma mãe de duas filhas fez uma tatuagem há muuuuitos anos e como tantas tantas vezes acontece, arrependeu-se. Conheçam a sua história e juventude que leia estas Maravilhas, pensem duas vezes!!



Eu fiz uma tatuagem e arrependi-me

Desde o final da adolescência quis ter uma tatuagem. Achava super giro, super cool, estava em plena adolescência rebelde e queria mesmo fazer.
Mas não investiguei a fundo o mundo das tatuagens, não comprei revistas, não pesquisei inspirações como deve ser. Houve alturas em queria um olho de Udjat, outras em que queria um desenho qualquer, ainda outras em que queria uma tribal. No tempo em que a fiz ainda nem tinha computador pessoal quanto mais internet para investigar diferentes desenhos ou estilos de tatuagens. Conhecia as tribais e pouco mais. E a ideia de uma tribal ficou. Era a moda.

A única obsessão era fazer uma tatuagem, e arranjar dinheiro para a fazer, porque elas eram caras.
A única certeza era que queria uma tribal e que queria tê-la num sítio em que tão facilmente a mostrava como a escondia. Não podia ser no braço, no tornozelo, ao fundo das costas, no ombro, no pulso, ou em qualquer outro sítio dos tradicionais em que se poderia facilmente ver. Também sabia que a tribal não poderia estrar ligada a ninguém nem ter um significado qualquer de amor, paz, felicidade, fosse o que fosse.
Tinha de ser uma tatuagem e significar 0, para depois não a ligar emocionalmente a nada ou ninguém. Ou não correr o risco de ter um caractere chinês a pensar que significava amor e vai-se a ver significava arroz. Até eu sabia que isso seria extremamente parvo!
Isso e fazer tatuagens iguais ao amor da altura ou o tatuar o nome de alguém. Até eu sabia que o mais certo era a tatuagem durar mais que o amor ou lá está, ser extremamente parvo!

E às tantas, lá reuni o dinheiro necessário e fiz uma tribal. Mas não foi uma tribal qualquer. Foi uma tribal que escolhi numa tarde, nos álbuns de inspiração de um qualquer tatuador fajuto da cidade onde na altura estudava. Nem sequer me dei ao trabalho de ir fazer a um local de referência máxima, foi no mais próximo.
Agora penso em todos estes factores, mas lembro-me que na altura a única coisa que pensava era que queria uma tatuagem e queria-a agora! E foi uma emoção, adorei a experiência e não me custou nada!
A tatuagem ficou engraçada e na altura achei-a gira, mas ficou muito grossa à pele, nada regular. Ficou pouco perfeita, pouco profissional. Foi logo o primeiro erro.

Decidi fazer na barriga, abaixo do umbigo mas não muito. Erro crasso. Pensava eu que estava bastante descida mas nada tramp stamp (linda expressão que vim a conhecer anos mais tarde e que diz tudo…), mas a verdade é que as cinturas ainda viriam a descer muito e a minha tatuagem afinal estava a meio da barriga, não suficientemente em baixo. No ano seguinte começou a loucura das calças de cintura descida e a tatoo ficava tão à vista ou chegava a ser coberta pela camisola e a barriga por baixo aparecia. Às vezes era um efeito que eu apreciava na altura, outras já era inconveniente.

Tive de contar à família, lógico. A minha mãe teve um desgosto mas aceitou, o meu pai ficou louco. Reagiu pessimamente, deixou de me falar por umas semanas, foi um drama. Enfim, ficamos assim, a tatuagem não poderia jamais ser vista por ele, em qualquer circunstância. Até na praia! Com as férias de Verão ainda a decorrer com os pais, andava 15 dias no Algarve com um bikini especial pai que tinha gola alta. E que prontamente enrolava para pôr a querida tattoo a arejar, assim que o pai estava fora do radar. Muito radical!

Entretanto… cresci. Os anos passaram por mim mas não pela tatuagem. Passou-me a febre pseudo-radical/moderninha/alternativa/bué cool de trazer por casa. Deixei de gostar da tattoo.

Gostava que ela tivesse ficado mais escondida, porque num plano ideal eu até gostava dela. Mas só para eu ver. Começou a incomodar-me as pessoas verem a minha tatuagem na praia, em público, não queria que reparassem. Na verdade, começava a achar esta história das tatuagens um bocado foleiro. Um bocado bimbo.
A cena democaratizou-se.
Todo o bicho careta começou a ter tattoos. E quanto mais bimba fosse a pessoa, mais tatuagens tinha. Era o que cada vez me começava mais a parecer. E a incomodar.

É que isto das tatuagens é muito bonito, mas é como tudo, vai por modas. No tempo em que fiz a minha não se viam muitas por aí, e estavam na moda as tribais, os caracteres chineses, mas depois vieram as góticas, depois as estrelinhas, agora está na moda as frases feitas em caligrafia… E as tattoos ficam datadas. Eu até posso achar uma tatuagem bonita, mas se a parola do lado tiver uma igual, é uma fraude, o que diz isso do meu gosto, do meu corpo, do que eu decidi fazer com ele?
Nem é uma questão de se ficar velha e encarquilhada e com uma tatuagem a cobrir as costas. É mesmo uma questão de ser algo permanente no nosso corpo, algo que mais cedo ou mais tarde, por muito que nos custe admitir, nos pode deixar embaraçadas, ou fartas, ou démodé.
Acontece.

E decidi tirá-la.

Mas se para a fazer apenas foi necessário reunir 15 contos, para a desfazer foram mais de €1.000,00. Mais!

Digam o que disserem é impossível remover uma tatuagem sem deixar marcas permanentes. O laser apaga, mas não desaparece com o relevo, com alguma cor. A tatuagem deixa de estar tão visível, mas continua a lá estar.
E eu queria pulverizar a minha dali para fora. Queria esquecer que alguma vez tinha tido alguma.

Em consulta com um médico de cirurgia estética, ficou decidido que a tatuagem seria tirada à naifa, em duas sessões. Basicamente o médico ia recortar a tatuagem e coser a pele. Em duas levas, para que não ficasse um buraco demasiado grande logo à primeira. E isso seria possível porque ainda assim a tatuagem tinha “apenas” o tamanho de duas moedas de €2,00, e era na barriga, onde haveria pele para distender. E podia dar-me por contente, menos mal! Porque se fosse no tornozelo ou num ombro ou fosse grande, nada feito, tinha de viver com ela e pronto. Mas havia essa solução. Uma cicatriz de mais de 1.000 euros por uma tattoo de 15 contos. Bom negócio, hãn?

E assim foi, lá tirei a tatuagem em duas levas e verdade seja dita, fiquei muito mais leve.
Eu prefiro ter uma cicatriz a ter uma tatuagem.Não fiquei com saudades nenhumas.

Entretanto tive a felicidade mas o azar para a cicatriz de engravidar de gémeas alguns meses depois da cirurgia e a cicatriz hoje está horrível. Esticou imenso  e ainda é muito roxa e está toda aos zig-zags. Claro que a barriga de pós-gémeas não ajuda, mas até foi mais ou menos ao sítio apesar de algumas estrias, a cicatriz é mesmo o pior.

Talvez daqui a uns meses, se eu me ficar mesmo pelas duas filhas, eu venha a fazer outra operação para remover a cicatriz. Trocar de cicatriz! Talvez isso faça com que fique menos inestético, mas não sei, não há garantias de nada…

Só sei que fiz uma tatuagem, arrependi-me e reparar o erro custou-me muito caro e deixou marcas para sempre.

Não vão em modas. Não sejam bimbas. Façam tatuagens temporárias, hena, decalques, mas pensem bem antes de fazer uma tatuagem só por pensarem que é cool ou porque meteram essa ideia na cabeça.

Nós mudamos com a idade, envelhecemos e melhoramos. As tatuagens não, elas são desenhos estáticos em corpos e mentes dinâmicas. Nós crescemos e evoluímos, queremos novas coisas para nós, para o nosso corpo. Uma tatuagem é uma âncora num Eu antigo que não volta a ser. Podemos adorá-la na altura, até ser uma paixão para sempre, mas, por via das dúvidas, não paguem para ver.
 
ban nha mat pho ha noi bán nhà mặt phố hà nội