Thursday, February 21, 2013

Fazer a vida

Este post começou como um comentário, mas passo-o para post, foi bem lembrado pela Drika, obrigada!

Há pessoas, tal como as que a Drika referiu, que fazem questão de dizer que "fazem a vida delas" com os miúdos, ou apesar dos miúdos. Que passam por cima de sestas na boa, que defendem que os grandes bebés, ou toddlers (e alguns até os bebés) não precisam dormir tanto, que dormem no carro, ou no carrinho, ou que se não dormem agora, dormem depois.
Todos os dias, todos os fins-de-semana.

Cada um sabe da sua vida, mas não gosto que me digam que o meu filho dorme demasiado, ou que é disparate eu passar as tardes em casa com o miúdo porque ele tem de dormir a sesta, ou que sou maníaca do sono. Sobretudo porque eu não digo a elas que os miúdos delas dormem pouco, que é egoísmo obrigar um bebé ao ritmo de vida de um adulto, ou que elas são ignorantes.

Eu acredito para mim, que os miúdos precisam de dormir muitas horas de sono por dia, e acho que em geral a miudagem em Portugal cada vez dorme menos, muito menos do que devia, e muitas vezes precisamente para acompanhar a vida dos pais.

Não acho que se deve viver preso à rotina do filho e abdicar de tudo por conta da sesta todos os dias. Mas, para mim, deve ser a excepção e não a regra. Um programa especial, um dia diferente, uma ocasião de família ou de festa, não devem nunca deixar de existir, agora os pais "fazerem a vida" deles e arrastar os miúdos, não. É assim que muitas vezes temos miúdos a fazer birras nos cafés, a fazer fita em pleno centro comercial: porque estão estoirados, querem dormir!! Estou rezingões, estão completamente fartos de estar acordados e se nem o pai se apercebe disso, que dirá o próprio filho, ou o camarada incauto que está a tomar o café ao lado. Eu acredito que muitas birras são simplesmente fruto de falta de descanso, de sono, de cansaço puro que se transformam em acessos de raiva e má disposição.

O Pedro é um miúdo mesmo muito bem disposto e de bem com a vidinha dele. E sempre o atribuí ao seu feitio, que é fácil, mas sobretudo ao facto de estar sempre descansado, de estar alerta e fresco. Eu noto perfeitamente que se eu saltar um dia de sesta do Pedro ao fim de semana, não vem daí mal ao mundo, o melhor é dar-lhe ainda mais agitação e ele segue com a onda. Mas noto perfeitamente que se ele tivesse um segundo dia em roda livre, ou se isto de saltar sestas fosse uma constante, que ele se tornaria imediatamente num esterotipado miúdo birrento e irritante. E tudo isso porque estaria estoiradíssimo. Eu sei que eu fico por tudo quando estou com sono, e sei que levar o Pedro ao fim da tarde ao supermercado é fatal, ele está estoirado e qualquer coisa é um drama gigantesco.

Eu acho hilariante é as pessoas que dizem que não deixam de "fazer a vida delas" por causa dos filhos, e lhes dão cabo das horas de sono descansado e continuo que deviam ter, geralmente serem as mesmas pessoas que ficam muito indignadas por eu deixar o miúdo com os avós durante um fim de semana e vá passear a sério e sem horários e em total liberdade. Não são "capazes" de o fazer, deixar o filho assim, largado com os avós. Mas são capazes de os arrastar para os seus programas de adultos, sem respeitar os seus sonos.

Nós escolhemos ter os filhos, a nossa vida "faz-se" com os filhos, não a continuamos a fazer apesar dos filhos ou arrastando os filhos. Isso infelizmente implica que, nos primeiros anos se esteja condicionado pelos horários deles. Mais tarde há-de ser com os estudos. O condicionalismo será uma constante. Não poderá nunca ser carrasco, muito menos impeditivo, nós continuamos a ser quem somos, mas já não temos toda a liberdade que tinhamos antes. Infelizmente, não.

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