Wednesday, January 30, 2013

Mi Blog es tu Casa

A história da vida de hoje retrata a dureza e o turbilhão emocional da passagem por um divórcio. Não escrevo "de" vida, porque estes episódios não definem a vida destas mulheres, elas aconteceram ou passaram por estas mulheres, ou podem fazer parte delas, mas não as definem.

Aqui fica,
Um Divórcio, o Meu Divórcio

Quando planeamos ter um filho, temos por base toda uma vida que é a que construímos. Primeiro, um casamento, ou um companheiro. Depois, uma casa. Finalmente um emprego. O que sucede quando tudo isso desaparece é ficarmos sem chão, com a vida roubada. E com um filho no meio.
Foi isso que sucedeu em 2012. Ao fim de uma relação longa, a separação. O meu filho tinha então sete meses.
Fui eu que saí de casa. Lembro-me de entrar pela última vez naquela sala, de uma casa adquirida pouco tempo, e onde era suposto envelhecer rodeada de crianças. Fechei a luz, e saí. Arrastava um saco enorme, com a banheira do meu filho, alguns brinquedos, e um grande buraco cá dentro.

Refugiada em casa dos meus pais, acordava todos os dias com uma sensação de um vazio e dor profunda. Como é que isto tinha acontecido? A rapidez dos acontecimentos, do desmoronamento, ultrapassava qualquer capacidade de compreensão. Ao mínimo choro do meu filho, passava-o para a minha cama. Era eu quem necessitava disso, não ele. De sentir o quentinho do corpo, a respiração dele a aquecer-me o peito. 

Nos primeiros tempos, o mundo dizia: ah, vocês vão voltar. E eu vivia dessa esperança. Ansiava sinais. Pode ser que ele assim sinta a minha falta. Pode ser que ele me peça para voltar. fazia as minhas escolhas em função disso. Mas nada. Silêncio. Só queria saber do bebé. Eu deixara de existir.

Entretanto, começa a busca por um outro sítio para ir viver. Passei a ser a mulher recambiada em busca de um T2 para arrendar. Recebida por casais em busca de casas maiores.
Encontrei um apartamento. Com a ajuda de pais e irmãos, fiz as mudanças. Do pai do meu filho, nenhuma reacção. A esperança de reconciliação aparecia cada vez mais longínqua e improvável.

As reacções do mundo eram perturbadoras.Ninguém acaba uma relação tão longa assim, de um momento para o outro! E ainda mais com um bebé tão pequeno! E uma casa nova! O mundo quer explicações, razões concretas. O mundo não se conforma. E todas as explicações parecem pequenas na minha boca, perante a enormidade da coisa. O mundo fica em choque. Mas vocês eram o casal perfeito!!!! De repente, sou eu a consolar o mundo, o mundo todo, do grande desgosto que o mundo sofreu por o meu conto de fadas ter terminado.

Nesses tempos, deixei de ser mãe. Os avós passaram a ser os pais . Não conseguia encaixar o meu bebé naquela vida nova. Até podia organizar-me para esquecer uma relação de décadas. Mas, o que fazia ao meu filho? Qual o lugar dele no meio daquilo tudo? Ele pertencia a uma vida que já não existia. Olhava para ele e, mais uma vez, sentia-me muito baralhada. Muito confusa. Assustada. Percebia que ele ficara para sempre. Sentia-me culpada. Não conseguia ser mãe assim. Se era para ser livre, procurar novas pessoas, o que fazer àquele pedaço da vida antiga?

Os tempos que se seguiram oscilaram entre a depressão e uma euforia por estar semi-livre. 
Um dia comecei a olhar para uma pessoa que muito gostava de outra forma. Uma pessoa que começou a lutar por mim. Por mim como mulher. Por mim como mãe. Uma pessoa que valia mesmo a pena.
E eis que, então, ressurge o marido. Sem o admitir, sem o pedir expressamente, quer que eu volte. E porque eu errei, mas tu também erraste. E porque temos de pensar no que é o melhor para o bebé  E porque me faz confusão ele passar a estar mais tempo com outro homem do que comigo. E porque estás a ser egoísta, Blá blá blá. Nunca me disse que me amava. Mas tocou sempre no meu ponto fraco: o melhor para o bebé  era voltarmos. Foram muitos meses confusa. Sentia-me dividida entre o que seria melhor para o meu bebé e o que seria melhor para mim. Voltar para um casamento que me trouxera infelicidade, ou fazer o meu filho infeliz para toda vida por ter os pais separados? A confusão era enorme, perturbadora, barulhenta. 
As opiniões divergiam. Ouvi que a felicidade do filho depende da felicidade da mãe.Ouvi que o valor da família se devia sobrepor. Ouvi que um divórcio nesta idade seria melhor que mais tarde. Ouvi que hoje em dia os casais não fazem esforço nenhum para estarem juntos. Ouvi que finalmente tinha alguém que me amava a sério. Ouvi que as crianças necessitam é de estabilidade.

Percebi que viver de acordo com as expectativas dos outros só poderia trazer infelicidade. E assim optei pelo divórcio. E pela pessoa que, afinal, me tinha salvo do precipício.
Mas o pai do bebé não estava preparado para ser eu a decidir,muito menos decidir aquilo. E assim começou mais uma etapa deste longo e excruciante processo. Coisas que sempre ouvira, passei a sentir na pele. As pessoas transfiguram-se, mesmo, com o divórcio. As pessoas usam, mesmo, os filhos como arma de arremesso. 
Todos os dias discussões lancinantes ao telefone, em que frases como as seguintes eram proferidas: Tu é que queres o divórcio, não levas pensão de alimentos nenhuma, nem para ti nem para o bebé. Ah ficaste sem emprego? Pensasses nisso antes, Se queres o divórcio, quero guarda alternada. Ou é assim, ou vamos para litigioso. Quero-te ver no litigioso, vais andar anos amarrada a este casamento.  
Nesses momentos, tudo se diz, tudo se pondera, e quase ninguém ajuda. Pais de um lado: cala-me esse indivíduo e procura um advogado. Marido do outro: Temos de resolver tudo a bem, pelo bebé. Que é como quem dizia: ou é como eu quero, ou litigioso connosco.

E pelo bem do bebé, e pela ânsia de ver fim da coisa, lá se vão assinando papeis.
O mundo critica. Mas és tótó???? O bebé  não tem pensão de alimentos? Mas és tótó? Ele fica com a casa? Mas és tótó? Ele fica com a mobília toda?
Mas o que interessa naquele momento é acabar com o pesadelo todo. Continuar com a vida para a frente. Voltar a ser mãe.
E eu sabia que podia mudar tudo depois de ter o divórcio. Era essa a minha meta. Acabar com aquilo tudo. E depois, se necessário, reponderar a regulação do poder paternal.

O mundo ainda hoje critica muitas das minhas escolhas. O mundo diz que não lutei o suficiente. Que fui tótó. Que o bebé fica muito tempo em casa do pai. Que ele é muito pequenino para passar fins-de-semana sem a mãe
E eu... eu ainda tenho muitas dúvidas.Estou a apalpar terreno pantanoso com muito cuidado. A aprender, todos os dias, esta vida nova. Aprender a ser divorciada. A tentar ler sinais no bebé, a tentar perceber se ele sofre, se ele está bem. Ainda tenho muitas, muitas marcas profundas de um ano com desilusões, mágoas, lutas, desconfianças. Marcas que tento que não assombrem a minha nova relação. Também aí estou a reaprender a ser namorada. Reaprender a ser mãe, quando era mãe há tão pouco tempo. E aprender a ser mãe de uma nova família, com os dois filhos dessa nova pessoa...

Com um filho, um divórcio nunca é total. Todos os dias os pais têm de falar. Terá de haver sempre pequenas concessões.Sempre decisões em conjunto. Tentar, a bem do bebé, o mínimo de entendimento. Gerir um equilíbrio muito periclitante, entre o respeito e o marcar da nossa posição.

Mas a vida está a recomeçar. Com a esperança de que seja melhor. Porque foi a que eu escolhi. Porque acredito que me fará feliz. E por isso será melhor também para o meu filho.

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