Thursday, April 4, 2013
Mi Blog es tu Casa
Hoje trazemos ao Blog uma situação que é conhecida de cada vez mais mães, de cada vez mais famílias, que têm de lidar com a nova emigração dos últimos tempos, a de jovens adultos, jovens pais de família, formados e que tinham tudo para dar certo em Portugal, mas que têm de agarrar melhores oportunidades no estrangeiro, por falta de opção ou por falta de opção que faça face às exigências da vida. E tudo se complica quando têm de ficar para trás filhos pequenos, que queremos ver crescer todos os dias e a família que se constrói fica separada, ainda que não por muito tempo. É sempre tempo precioso de que se pode saber, o qual se pode ver em primeira mão (viva o Skype e as tecnologias que o permitem!), mas não se podendo tocar, mudar, influenciar directamente, são sempre tempos meio vividos, que nos escapam um pouco, ou muito. Aqui fica o relato em primeira mão:
Em Janeiro de 2012 fiquei sozinha com a minha bebé de nove meses, pois o pai emigrou para Angola. Passámos a ser as duas para tudo. Felizmente que o meu trabalho é a 5 minutos de carro e a creche fica mesmo ao lado deste. E felizmente, que a avó tem disponibilidade para ir buscar a neta à tarde.
No início foi a adaptação à ausência e era uma novidade, depois as férias e estávamos radiantes pela união, e a seguir à reunião vinha a separação, que já sabíamos com o que esperar, cada vez as separações eram mais difíceis.
Até aos doze meses, a nossa bebé se adaptou bem à ausência do pai, apesar de que falava e via-o todos os dias pelo Skype. Aos dezoito meses, após as férias em Outubro, já chorou ao vê-lo ir embora, e no Natal, decidi-me a não ir levá-lo ao aeroporto. A bebé de nove meses passou para os vinte e as reacções via Skype, telefone, ausência e presença também cresceram. Quando em férias, mal o pai se ausentava para ir levar o lixo, por exemplo, chorava.
Nós da nossa parte, nunca chorámos, nunca desesperámos e sempre fomos andando e vendo e vivendo, sem dramas (porque o mercado de trabalho a isso nos obriga).
Para mim nunca foi complicada a logística (bebé, trabalho, casa), pois a minha filha é daquelas sempre bem disposta, que come sempre bem e que dorme sempre a noite toda na cama dela, sempre! Neste tempo todo que passou raramente ficou doente e só apanhou as doenças “normais” de bebés. Eu só pus baixa uma vez e foi um dia. Esta fase maravilha da minha bebé foi até aos dezoito meses, depois passámos às birras (como é de esperar) e claro exigiu muito mais de mim, psicologicamente mesmo!
Aquilo que mais me transtornava era mesmo o meu horário, pois nunca saí em 2012, às 18:00 horas. Nunca fui buscar a minha filha à creche, felizmente tinha a avó que lhe dava o jantar. Eu às horas que saía era só ir buscá-la, dar o banho, brincar e falar com o pai via Skype, e depois de deitá-la, a minha hora de jantar era às 22horas.
E neste rame rame do dia-a-dia passou um ano…
Olhando para trás, aquilo que me custou mais foi ver crescer a minha filha sozinha, ela a desenvolver-se e o pai a perder tudo. Foram os fins-de-semana em solidão (apesar da família e amigos sempre presentes). Uma sensação total de viver e não estar viva, simplesmente a aguardar. Porque o tempo passa rápido e logo logo estamos juntos, mas passou rápido, mas não foi aproveitado.
Se do meu lado foram estas as sensações vividas: solidão, monotonia, saudade, do lado do pai foi mesmo: saudade, saudade, ansiedade, ansiedade, MUITA SAUDADE, pois resumindo, para o meu marido voltar era um suplício! Como não houve maneira de nós irmos para Angola, ele decidiu-se a vir embora e retornou em Março deste ano.
Foi um grande esforço da parte dele que compensou financeiramente, mas emocionalmente deixou-o mal tratado. Veremos como nos corre a vida agora… pelo menos agora andamos todos nas nuvens E esperemos que não nos falte trabalho para não nos separarmos novamente.
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