Tuesday, December 4, 2012
O Precedente, sim
Perguntava-me eu ontem, se isto teria sido um precedente ou apenas mais um episódio mas com contornos um pouco diferentes.
Hoje, pelas quatro da madrugada, dúvidas desfeitas. Foi um precedente.
Pois que Pedrito coelho tomou-lhe imediatamente o gosto e vai de acordar aos berros ai-que-me-matam mode, a horas impróprias para TUDO menos copos e dormir. E nós estávamos alegramente a desbundar a última hipótese. Que bem precisavamos e bem estávamos era na nossa caminha...
Mas não, lá saí eu disparada a mal dizer a minha vida e este filho com relógio interno e memória subsconsciente ou inconsciente (ou o caraças, sei lá que nome pepsicólogo dar a isto - não interessa NADA, eu acordei e pronto).
E ele chorava desesperado e logo se abraçou a mim. E eu não o queria tirar do berço e ele tentava trepar. E eu com falinhas mansas e "Que foi, bebé, que foi? Não tem dói dói, está tudo bem, vamos dormir..." enquanto o abraçava e beijava muito, mas tirar da cama, népias.
Ele chorava cada vez mais ao ver que eu não cedia, e eu cedia cada vez mais, ao pesar-me o cansaço e o frio.
Que bem que se estava na caminha.
Nesse momento aparece providencialmente o pai. Ele tem umas falinhas mansas ainda mais mansas que as minhas, que ele percebe disto de ter resistência à frustração bem mais do que toda a cidade junta, e lá ficou a falar com ele, a explicar-lhe que os bonecos estavam todos a dormir na caminha dele e coisas assim que eu nem registei.
Dei o baza. Fui para a caminha.
Pouco depois apareceu o maridón. O Pedro acabou por se deitar sozinho e convencidinho da Silva.
Até de manhã.
Foram cinco minutos de terror noturno (não coitado, mas perdoem-me a, aqui, liberdade literária). Cinco minutos bem contados e bem sentidos, debaixo de sono e frio, bem custaram a passar. Mas no final foram apenas cinco minutos. Vale a pena cronometrar estes episódios para nos apercebermos de quão pouco eles na realidade duram, mas o quanto nos custam a passar e da forma como a passagem do tempo é por nós percepcionada. Vale a pena cronometrar, ou para ver que não durou tanto tempo assim, ou para objectivamente medirmos a medida do problema, se for longo.
No nosso caso, este era o primeiro dia do cimentar de um padrão. Ele acordou ainda mais choroso do que ontem e ainda mais cedo. A escalada já tinha começado e íamos apenas no primeiro dia. No primeiro dia nós travámos o (mau) hábito e levou-nos cinco minutos e uma razoável dose de paciência.
Eu sabia que se o trouxesse para a minha cama resolvia-se isto num segundo e todos ficávamos satisfeitos. Ele com miminho extra, nós com miminhos extra também e sem a maçada de o estar a manter onde sempre esteve.
Mas eu não quero que esse miminho extra venha com uma factura tão cara. Que seja a única forma de pôr cobro ao perturbar da sua noite descansada, em prantos e aflições. O meu miminho extra não pode ser usado para aplacar tanto choro, tanta perturbação. O meu miminho extra dou-o de dia, ao deitar, ao acordar, às refeições, em passeio, ao dar banho, ao enroscarmo-nos para ver um pouco de Panda. Sem choros. Eu quero que o meu filho durma a noite toda seguida e descansada, sem perturbações e mudanças de estação.
Estou em pulgas (ó-oh!) para ver como corre hoje...
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