Quando os Resistência foram criados, há vinte anos atrás, seria uma loucura eu ir a um concerto deles. Os meus pais nunca me deixariam, e bem, ir a Lisboa, a um concerto de uma banda com a projeção que eles tiveram na altura, aos treze anos de idade. É que a questão nem se pôs.
Passei estes anos todos a magicar que ir a um concerto dos Resistência é que seria fixe, "que pena que já acabaram, aquilo é que era, gostava tanto de ter ido..."
Quando os Resistência voltaram agora para este concerto revivalista, comprámos, as garotas que éramos na altura, os bilhetes quase de imediato. Foi dar-se a notícia e nós aos saltos VAMOS VAMOS! É que a questão nem se pôs.
E agora constato que, vinte anos depois, foi uma loucura ir ao concerto dos Resistência. Tal como seria há vinte anos atrás, mas noutros moldes.
Eu deixei marido e filho entregues à sua sorte, na nossa terrinha. Abalei-me para Lisboa, de mochila às costas para passar a noite a casa da minha avó. Andei agarrada ao computador, nos buracos livres, a trabalhar em andamento. Fiquei sem bateria no telemóvel, incontactável mais de 24 horas.
A minha irmã arrastou para Lisboa marido e filhos, porque o mais novo tinha de vir agarrado à mama e precisava de quem o cuidasse enquanto estivéssemos a cantar a plenos pulmões.
Outra de nós veio de propósito da Índia para vir ao concerto e aproveitou, já agora, para passar o Natal na terrinha, que se não fosse os Resistência ficava pelas Índias de férias.
Outro veio directo de Leiria a correr, chegou mesmo em cima da hora do concerto.
"Ah, quando somos crescidos fazemos o que nos apetece, nada nos prende, nós é que mandamos!"
...
Foi assim connosco, mas aqui que ninguém nos ouve, ainda bem que já tínhamos os bilhetes comprados há meses, que senão ainda desandava tudo e não nos atrevíamos à loucura destes dias.
E valeu a pena, muito a pena.
Vai.
Vai mais longe, vai.
vai ao fundo do fundo.
Não mudes de assunto, há sempre um perigo.
Sai debaixo das pedras e vai
Vai mais longe, mais fundo
Não mudes de assunto
Só porque é mais fácil
Há sempre um perigo
Sai debaixo das pedras e vai, vai
Descola a memória, flutua no vago
Deixa-te ficar
Há sempre um perigo
Friday, December 21, 2012
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
0 comments:
Post a Comment